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Luci Leia
Teixeira Vianna faleceu dia 21 de Abril de 2005
com 35 anos e 180 quilos
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Lidar com a morte
nunca é fácil. Há quem acredite em destino certo e que
independente do que façamos, morreremos em data e hora
marcados por Deus. Um "maktub" cruel. Não posso
acreditar nisso. É muito conformismo. Acredito que se não
tivesse operado, se não tivesse mudado meus hábitos, se
tivesse continuado com 300 quilos, já não estaria mais aqui,
fazendo essa reflexão. Acredito que possamos mudar nosso
destino em cada escolha. Em um segundo podemos mudar toda a
trajetória de nossa vida e cada opção tem sua
conseqüência e resultados mostrados com o tempo.
Felizmente, minha
história foi feliz e hoje posso até servir de exemplo e
inspirar outras pessoas. Sei que essa exposição é arriscada e
já sofri conseqüências disso. Já perdi amigos e fui
acusado de ser a má influência que os levou à morte. Fez parte
de várias sessões de minha terapia apagar esses fantasmas. Não sou um
colecionador de provérbios, mas um em especial me fez mudar de
atitude. Uma frase atribuída a Vitor Hugo — "Morrer
é quase nada, horrível é não viver" — já parou para pensar
na profundidade disso? Ninguém é mais corajoso do que aquele
que não tem nada a perder. Com 300 quilos, sem andar e
praticamente dependendo dos outros para tudo, que
vida eu tinha? Sem sexo, sem lazer e prazer, a morte seria até
um alivio. Só os que já estiveram "nesse inferno" sabe entender
o que eu estou dizendo. Resolvi não me entregar. Se tinha que
morrer, que fosse lutando. Sem dinheiro, sem padrinhos
políticos, fui à luta com as armas que eu tinha. Felizmente
estou aqui, 200 quilos mais magro, vivo e me sentindo
vitorioso. Nesse percurso, perdi amigos. Fistula, embolia,
infecção hospitalar são os nomes de alguns dos inimigos que os abateram,
mas morreram lutando e também são vitoriosos de alguma
maneira.
Infelizmente nesse
mês de Abril perdemos mais um amiga, Luci Leia,
de Brasília. Com 35 anos e seus 180 quilos, ela também era uma
lutadora. Sonhando com uma vida melhor, se aproximou de outros
guerreiros para tomar coragem e se inspirar. Infelizmente ela
não teve oportunidade de pegar em armas. Morreu no meio do
caminho, esperando em uma dessas deprimentes e desumanas filas
do SUS. Para as autoridades ela é apenas um
índice mórbido, um número, uma estatística. E como ela, há
muitos outros, morrendo nesse momento sem ter ao menos chance
de tentar. Morrer por complicações na cirurgia é triste sim,
mas morrer na fila é muito pior. É sonhar e não realizar. Sei
que é utopia acreditar que um dia isso vá se resolver, mas não
fazer nada também é covardia. Vamos lutar por aqueles que
estão sonhando, por aquelas "Lucis" que estão esperando em
filas que chegam há 8 anos. Não deixemos que a morte de Luci
seja em vão... Luci, vá com Deus. Você também é uma campeã.